- Quem é que vem cá ter? - perguntei eu impaciente
- O João, o André, o Tiago, a Paula, o primo e não sei se mais alguém. Mas porquê?
- Isto 'tá um bocado morto, não?
- Yah, mas esperamos que eles venham e se quiserem vamos dar uma volta por aí.
O fumo começava já a fazer-me arder os olhos e a sonolência começava a apoderar-se de mim.
Passados uns 10 minutos reconheci um rosto que cumprimentava o segurança e pensei p’ra mim que o sacrifício estava a acabar. André, Paula, o primo, o Tiago, já a fazer das suas, o João e por enquanto mais ninguém.
- Então, estão há muito tempo à espera? - perguntou a Paula
- Há bem mais de uma hora - responde a Rita com um ar reprovador
- Desculpem lá, apareceram lá uns amigos do meu pai e levava umas cenas p’ra mim, então obrigou-me a abri-las antes de sair.
- É! E nós que esperássemos - lá estava o meu mau feitio a sobressair .
Espanto! Ao ver-lo entrar pela porta, um misto de surpresa e curiosidade tomou o meu corpo. A Rita olhou também para a porta e tentou fechar-me a boca, mas era impossível. Nesse mesmo instante o Tiago dirigiu-se ao dito cujo, e cumprimentou-o, também admirado. Oh não, vem mesmo ter connosco! Que raio! Não estou assim tão apresentável. Não sejas parva, ‘tás muito bem assim. Se gosta, gosta de qualquer maneira. Estúpida! Não gosta nada! Xiu! Vem lá.
Os pensamentos soavam tão alto, que por instantes pensei que todo o pessoal no bar os ouvia.
- Hello! Espero não 'tar a interromper nada. - disse
- Não, nada. Senta-te. Há sempre espaço p’ra mais um - respondeu a Rita a conter a vontade de soltar a gargalhada presa bem ali, à vista de todos
Ao meu lado não, por favor. Merda!
- Oi, tudo bem? - cumprimentei eu
Um beijo nesta bochecha, agora na outra. Bem no canto do lábio. Pica-me. Depois diz que te arrependes.
- Agora estou bem melhor - retorque ele, com aquele olhar
Peço uma, duas, depois mais outra, quatro imperiais. Com a comida que tenho no estômago será impossível não ficar já aqui a dormir. O carro que vá sozinho.
Passados uns 10 minutos já estou quase a chorar a rir ao som das piadas do Tiago e o outro não pára de olhar p’ra mim. Pego na carteira e sem ninguém perceber, tiro uma foto e dou-lha.
- Já me estás a gastar, toma lá isso! - segredo-lhe eu, ironicamente.
Ele dá uma sonora gargalhada e a conversa dos restantes interrompe-se enquanto os olhares se desviam para o pedaço de papel na mão dele. Atrapalhado enfia-o rapidamente no bolso das calças e recomeça a conversa com um tema indefinido.
O Tiago já só se ri da minha cara. E o primo da outra também. Tenho quase a certeza que conseguem ouvir o que penso. Olho p’ra Rita e ela pisca-me o olho. Olho p’ra ele e ele sorri-me descaradamente.
- Temos de conversar - diz-me
- Agora?
- Se não for muito incómodo
Pego-lhe na mão e vou até ao segurança.
- Vamos só ali, podemos voltar à vontade depois?
- Hum... Não se demorem. – responde o bizonte
- Não sei. A conversa parece ser longa, mas se houver algum problema, eu conheço aquele moço ali - aponto pro André
- Ah, sendo assim estão à vontade - pisca o olho
Afasto-me uns metros, encosto-me à parede e espero que seja ele a tomar a primeira medida. Já na outra noite eu é que fiz tudo. Se calhar a outra é que tem razão e eu é que o pressionei demasiado. Espero que a conversa não vá dar a isso.
- Tinha saudades tuas.
Que lata! Há dias sem me falar e ainda tem o descaramento de me dizer tal coisa.
- Tinhas? Então porque é que não me falavas.
- Tu é que não tens dito nada.
Não gosto nada deste jogo da batata quente. Daqui nada mando-a ao chão e acaba-se já a conversa.
- Vai direito ao assunto. Eu já sei de tudo. Escusas de esconder aquilo que já toda a gente, menos eu supostamente, sabe.
- Eu não escondo nada de ninguém. Só não te queria magoar. Só isso.
Pára bestinha! Magoar. Estavas à espera do quê? Milagres? Nem eu queria outra coisa, mas isso já não existe há que séculos. Milagres… Humpf.
- Então diz lá. Que é tão importante que tens p’ra me dizer? – respondo furiosa
- Podes tentar ser um pouco menos arrogante, se faz favor? É um assunto sério.
- Já percebi. Agora desembucha vá. Já estou a ficar nervosa.
- Não precisas – diz, aproximando-se de mim – Eu não vou a lado nenhum – agora mexe-me nos cabelos – Estou bem aqui ao pé de ti – Aproxima-se e cheira o meu pescoço.
- Queres arrepender-te de novo? – Digo, desviando-me – Não achas que já chega? – Pergunto indignada – Ou o amor não é assim tão grande?
Que raiva. Ontem, a semana toda, os dias inteiros, passou sem dizer um ai que fosse. Hoje já vem todo mimoso. Daqui a nada vou ao bar ver quanto é que já bebeu.
- Acabou. Se calhar é melhor assim. Arrependi-me, sim, mas apercebi-me que não era amor. Não mereceu o que fiz, mas sinceramente apetece-me repetir.
- O quê?! – devo tar a ouvir mal. Nah… Isto não me está a acontecer.
- ‘Tás a ouvir bem, sim. Eu…
Nem o deixo acabar.
- Amigo. É assim. Eu esperei esta semana toda que dissesses alguma coisa. Nem ai, nem ui. Agora vens-me com essa conversa de que ah e tal e o camandro. O que é que queres de mim afinal?
- Quero estar contigo. Não posso? É um crime assim tão grande? Pode ter não ter sido nada de especial. Mas que queres que te diga? Que não o sinto? Diz-me que não sentes o mesmo e deixo-te já ir embora.
Não era isto que queria ouvir. Estava a espera de uma resposta mais franca. Mais? Tas bêbeda. Volta pró bar e pede álcool puro.
- Não! Quer dizer, sim! Quer dizer.. não sei
- Então? Em que ficamos?
- É difícil dizer.
Aproxima-se de novo, pega-me na mão e sussurra.
- Eu não te quero obrigar a nada. Só quero saber com o que posso contar.
- Com tudo – respondo envergonhada
- Sério?
Beijo-o. Olho-o nos olhos e respiro fundo.
- Vamos ter com eles
Agarra-me pela cintura e relembro a outra noite. Dá-me uma dentadinha no pescoço e estremeço. Olho p’ra ele de esguelha e beijo-o de novo.
- Tens a certeza do que fazes? – pergunto
- Se não tivesse não ‘tava aqui.
- Mas às vezes pode ser tudo muito rápido. A emoção do momento, sei lá.
- Eu pensei no que queria fazer.
- Eu não.
- Mas não sabes o que queres? Há instantes dizias que sim. Vê lá. Não te quero obrigar a fazer nada que não queiras.
- Não, nada disso. Só não esperava que isto pudesse acontecer. Tinha perdido a esperança. O silêncio às vezes não ajuda.
- Eu tinha que pensar. Desculpa se não disse nada. Também esperei que dissesses algo. Depois achei que tivesses descoberto a verdade e… és amiga da Rita… eu não sabia que fazer.
- Às vezes o mal é pensarmos demais. Eu descobri pela Rita sim, e fiquei pior por isso. Achava que tinhas de dizer alguma coisa. Se calhar não, eu sei. Aquilo foi do momento. Coisas sem pensar.
- Eu também pensava que passava, mas no final acabei por descobrir que… não a podia magoar mais. Não foi só do momento. Desculpa o silêncio.
- Não faz mal. Ainda bem que resolveste isso. Melhor para todos.
Beijou-me de novo. Estou pensativa. Apreensiva até. Mas pela primeira vez correu bem.
Voltamos p’ro bar e ao ver-me entrar pela porta, a outra olha-me logo como se tivesse cometido um crime. Agora o Tiago. Depois o primo da outra. Ai! Agora riem-se.
A vida tem destas coisas… mas não é comigo
2 comentários:
TOU PASMA!!!! amanhã contas-me resto..ou melhor isto mas de uma forma mais clara sff..lol...parece k tal como sempre te disse tudo tem o seu tempo para acontecer.e toda a gente tem direito a ser feliz.Freiras?!?!Nós!?!..lolol..nem em sonhos..BJOS ADORO-TE!
SARA MARIA nao tenho andado muito presente mas agora fiquei pasmada com isto...aiiiiiiiiiiii soa-meeee a coisooooo... temos de ir almoçar as 3 dartaconas....manda beijos enormes a catita e muitos enormes para ti
DOWU-VOS DARTACONAS DA MINHA LIFE
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