domingo, 10 de outubro de 2004

Despedida, by Joana

São 24h05 e um novo dia começou à 5 minutos.
Um dia que neste momento não vai ser apenas mais um dia, talvez um dia ele o passe a ser mas não hoje, não neste momento. Com este dia uma parte da minha vida, da minha história chega ao fim. É mais uma porta que se fecha para nunca mais abrir, como de tantas outras vezes foi.
Gostava de conseguir exprimir aquilo que sinto, mas estou confusa... tão confusa como à uns anos atrás quando foi a minha vez de perceber, ou tentar perceber, o que se passava comigo mesmo antes de ter dito “Sim”. Não é como o Sim que hoje vais ouvir...não é um Sim com tanta importância civica e moral, mas foi um Sim com aquela importância que ambos sabemos que teve.
Estou feliz, muito feliz por ti e talvez daí a minha confusão por não saber então o porquê desta magoa e desta dor no meu coração. Talvez seja simplesmente porque a tal porta se fechou, ou como costumo dizer, ou entao não...
A única coisa que sei é que quero que sejas muito feliz, porque sei que se o fores eu também serei, porque é isso que os verdadeiros amigos querem uns para os outros...Então meu amigo, Sê FELIZ

By: Joana

Anjo ou Diabo

Já tentei fugir ao teu sorriso e forçar-me a permanecer fiel a mim mesma. Mas o teu olhar é tão profundo que não consigo resistir a pensar em ti pelo menos uma vez por dia. Se quisesses poderias governar o meu mundo com um piscar de olhos o intuito de me ajudar nesta difícil fase da minha vida. Esquecer o meu passado, enfrentar o presente e preparar-me para o futuro é uma difícil tarefa na qual me tenho empenhado de corpo e alma, mas sem ter sucesso. E tu tendo estado do meu lado aproveitaste-te das minhas fraquezas e apoderaste-te de todo o meu ser. É incrível! Nem acredito como podes ser tão diferente e tornares-te um anjo ou no próprio diabo, quando bem entendes. Estou confusa, sem saber que fazer, que pensar, entre a espada e a parede. Podes ajudar-me quando queres, mas podes também ser infiel a ti próprio e magoares-me de uma forma como juraste nunca fazer. Sinto-me perdida no teu olhar, nos teus sentimentos, em ti.

(escrito há uns tempos atrás)

Alma atormentada

Estes dias que passo sozinha, num canto escuro do meu ser, são mais que mero infortúnio da vida. Foi assim que o destino traçou. Um momento feliz esse que foi desenhado. Talvez algo esteja escrito nas entrelinhas. Algo no qual recuso a acreditar e ao qual recuso também das ouvidos. Porque o meu amor é maior alguma vez sentido e por mais que queira não o consigo demonstrar. Ninguém está para o receber, ninguém para me libertar do tormento que é viver afogada num sentimento tão forte.

(mais um escrito há uns tempos...)

Conquistas

Esperei que o tempo recuperasse tudo o que se passou. Foi feliz o nosso encontro, mais feliz ainda tudo aquilo pelo que lutamos. Seria eterno o sentimento que carregámos em nós. Foi para sempre desejado aquilo que obtemos e que ainda hoje recordo. Está vivo nesta memória. Só quero estar assim sozinha. Pensativa.

(há uns tempos...)

Rotina

Apetece-me gritar, mas gritar de maneira a que ninguém me oiça. Um grito silencioso ao qual nenhum ser possa reagir. Quero apenas acordar algo em mim que sinto falta, que está guardado num pequeno cofre, no mais profundo de mim. Ligo a TV, faço um rápido zapping e paro numa daquelas desgraçadas reportagens do mais patético dos canais, que o mais profundo que podem passar é o anúncio do filme sobre aquele famoso naufrágio que já todos vimos, mas que estupidamente revemos vezes e vezes sem conta. Desligo o televisor, pego na mala e saio porta fora. Olho para o carro estacionado mesmo à porta, mas continuo a caminhar pelo passeio. Passo por várias lojas, chego à estação de metro e corro para apanhar o que está parado e me leva ao meu destino, ao chegar à estação desejada, saio e caminho pela rua mais alguns metros até à porta do escritório. Entro. Cumprimento os presentes, entro no meu consultório e reparo na imensa molhada de papéis à minha espera para serem arrumados. Faço o ar de enjoada que melhor consigo e saio direita à casa de banho. Depois de uns poucos minutos de maquilhagem, saio calmamente e versejo um “Não me sinto bem, volto amanhã”. Volto... talvez.
Ao chegar a casa descalço-me e de um pulo salto para o sofá. Penso nos últimos dias e naquilo em que me fizeste pensar.


(Escrito há uns dias atrás :s)

Tu

Pensei que confiasses a mim tudo o que te preenche. Pensei rever em ti o que quero de melhor para mim. Foi rápido como percebi que o mundo dá muitas voltas e um dia somos tão felizes e no seguinte somos um mero objecto a mercê das fortes correntes de um rio enfurecido chamado vida. No meu coração deixaste uma profunda mágoa que me arrasta lentamente por um poço sem fim. Quero esquecer tudo o que passou, passar um pano nisto e fingir que nada aconteceu. Quero esquecer que jamais serei capaz de amar alguém como um dia a ti. Mas é difícil, mesmo se fosse o ser mais corajoso do mundo, pois o teu mundo é o meu, a tua vida é a minha, os meus amigos os teus.
Olho-me ao espelho e o que reflecte é só um vazio que teima em não se deixar preencher. Tento combater a raiva que se apodera de mim, mas não sou capaz. És forte demais. Tens um poder de persuasão ao qual não consigo resistir. Nem esse teu calculismo, essa frieza que manejas gentilmente e com a qual me magoas constantemente me passa despercebida.

(escrito há uns tempos)

Estar só

Estou farta de te ter no meu caminho, a impedir a minha felicidade, a esconder de mim o amor que busco. Será que não vês nos meus olhos, em tudo o que digo e nas acções mais simples que não estou bem? Podes pensar que sim e até tentar fazer um esforço para compreender o que vai em mim. Mas é profundo o que sinto e não o quero partilhar. Não agora que me sinto tão só.

(escrito há uns tempos)

Retorno

Passaram meses desde a última vez que te vi. Reencontrar-te foi mesmo animador. Já não me sentia tão bem há tanto tempo... Como sempre sinto-me invísivel, embora não tanto como normalmente. Talvez seja daqueles olhares. Talvez sejam só fruto da minha imaginação. Não quero é começar como sempre, naquela expectativa louca. Mas parece que não há remédio... Voltou.

sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Alberto Caeiro ("personagem" de Fernando Pessoa)

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...

Shakespeare

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos, presentes não são promessas. E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos."