domingo, 10 de outubro de 2004

Brincar com o amor

Não consigo perceber a forma como as pessoas desperdiçam o amor. Ver ia relação desmoronar-se devido a um mero “fetiche”, simplesmente ultrapassa-me. Ver que os dois sofrem sem razão e não fazem um esforço por se resolver é algo que me faz pensar no verdadeiro valor que as pessoas dão ao amor. Saberão elas o que é sofrer por não ter, desejar e não tocar, olhar e não puder? Até podem ter um pequeno vislumbre, mas nunca perceberão como eu o que é sonhar a toda a hora com o dia em que o amor nos preenche, com o abraço apertado que nos faz vibrar, o beijo apaixonado que nos leva às nuvens. Não sabem. Se realmente soubessem não andavam a brincar com isso...

(escrito a 05.10.04 à 1h43 da manhã)

Amar

A leve respiração faz-me pensar se vale a pena estar aqui. Se valerá a pena existir e seguir os caminhos vertiginosos da vida. Dizem-me para ter calma, saber esperar, não desesperando, mas a verdade é que me é impossível todos dias sonho com a felicidade que se avista tão longe. Sei que talvez seja verdade, talvez nunca venha a ser feliz. Mas isso só o tempo pode dizer e a minha vontade louca não ajuda. Estar rodeada de pessoas felizes e que caminham sobre um tapete imenso de amor revolta-me. Será que não sou merecedora de tal felicidade, de tal amor? Cada vez mais sinto que não e que vou morrer sem experimentar o suave sabor da paixão.

(escrito a 05.10.04 à 1h00 da manhã)

Madrugadas

2 da manhã. Chego a casa depois de mais uma noite de palhaçada. Dispo a pesada roupa e visto o pijama que me conforta. Deito-me, mas lembro-me da fome. Volto à cozinha e pego no mais aproximado de refeição possível àquela hora. Volto para o quarto e deito-me na cama a pensar no dia que passou. Falhaste a promessa e não apareceste, deixando-me na expectativa até ao estridente toque de mensagem. “Desculpa, não deu” .OK. Eu sou forte e vou conseguir fingir que nada se passou, que mais uma vez faltaste ao compromisso. Eu sei que a tua relação não está fácil, mas eu não tenho culpa. Pensei que neste momento, a esta etapa, já confiasses em mim. Chora sozinho então! Talvez seja melhor para ti... e para mim. Não preciso de mais uma preocupação. A minha vida já tem que chegue, que baste para uma só alminha. Mas não consigo evitar sorrir, com aquela cara de parva quando estás de volta e tão cedo não vais partir. Se ao menos fosses meu...

(Escrito em 03.10.04 as 2h30 da manhã)


Despedida, by Joana

São 24h05 e um novo dia começou à 5 minutos.
Um dia que neste momento não vai ser apenas mais um dia, talvez um dia ele o passe a ser mas não hoje, não neste momento. Com este dia uma parte da minha vida, da minha história chega ao fim. É mais uma porta que se fecha para nunca mais abrir, como de tantas outras vezes foi.
Gostava de conseguir exprimir aquilo que sinto, mas estou confusa... tão confusa como à uns anos atrás quando foi a minha vez de perceber, ou tentar perceber, o que se passava comigo mesmo antes de ter dito “Sim”. Não é como o Sim que hoje vais ouvir...não é um Sim com tanta importância civica e moral, mas foi um Sim com aquela importância que ambos sabemos que teve.
Estou feliz, muito feliz por ti e talvez daí a minha confusão por não saber então o porquê desta magoa e desta dor no meu coração. Talvez seja simplesmente porque a tal porta se fechou, ou como costumo dizer, ou entao não...
A única coisa que sei é que quero que sejas muito feliz, porque sei que se o fores eu também serei, porque é isso que os verdadeiros amigos querem uns para os outros...Então meu amigo, Sê FELIZ

By: Joana

Anjo ou Diabo

Já tentei fugir ao teu sorriso e forçar-me a permanecer fiel a mim mesma. Mas o teu olhar é tão profundo que não consigo resistir a pensar em ti pelo menos uma vez por dia. Se quisesses poderias governar o meu mundo com um piscar de olhos o intuito de me ajudar nesta difícil fase da minha vida. Esquecer o meu passado, enfrentar o presente e preparar-me para o futuro é uma difícil tarefa na qual me tenho empenhado de corpo e alma, mas sem ter sucesso. E tu tendo estado do meu lado aproveitaste-te das minhas fraquezas e apoderaste-te de todo o meu ser. É incrível! Nem acredito como podes ser tão diferente e tornares-te um anjo ou no próprio diabo, quando bem entendes. Estou confusa, sem saber que fazer, que pensar, entre a espada e a parede. Podes ajudar-me quando queres, mas podes também ser infiel a ti próprio e magoares-me de uma forma como juraste nunca fazer. Sinto-me perdida no teu olhar, nos teus sentimentos, em ti.

(escrito há uns tempos atrás)

Alma atormentada

Estes dias que passo sozinha, num canto escuro do meu ser, são mais que mero infortúnio da vida. Foi assim que o destino traçou. Um momento feliz esse que foi desenhado. Talvez algo esteja escrito nas entrelinhas. Algo no qual recuso a acreditar e ao qual recuso também das ouvidos. Porque o meu amor é maior alguma vez sentido e por mais que queira não o consigo demonstrar. Ninguém está para o receber, ninguém para me libertar do tormento que é viver afogada num sentimento tão forte.

(mais um escrito há uns tempos...)

Conquistas

Esperei que o tempo recuperasse tudo o que se passou. Foi feliz o nosso encontro, mais feliz ainda tudo aquilo pelo que lutamos. Seria eterno o sentimento que carregámos em nós. Foi para sempre desejado aquilo que obtemos e que ainda hoje recordo. Está vivo nesta memória. Só quero estar assim sozinha. Pensativa.

(há uns tempos...)

Rotina

Apetece-me gritar, mas gritar de maneira a que ninguém me oiça. Um grito silencioso ao qual nenhum ser possa reagir. Quero apenas acordar algo em mim que sinto falta, que está guardado num pequeno cofre, no mais profundo de mim. Ligo a TV, faço um rápido zapping e paro numa daquelas desgraçadas reportagens do mais patético dos canais, que o mais profundo que podem passar é o anúncio do filme sobre aquele famoso naufrágio que já todos vimos, mas que estupidamente revemos vezes e vezes sem conta. Desligo o televisor, pego na mala e saio porta fora. Olho para o carro estacionado mesmo à porta, mas continuo a caminhar pelo passeio. Passo por várias lojas, chego à estação de metro e corro para apanhar o que está parado e me leva ao meu destino, ao chegar à estação desejada, saio e caminho pela rua mais alguns metros até à porta do escritório. Entro. Cumprimento os presentes, entro no meu consultório e reparo na imensa molhada de papéis à minha espera para serem arrumados. Faço o ar de enjoada que melhor consigo e saio direita à casa de banho. Depois de uns poucos minutos de maquilhagem, saio calmamente e versejo um “Não me sinto bem, volto amanhã”. Volto... talvez.
Ao chegar a casa descalço-me e de um pulo salto para o sofá. Penso nos últimos dias e naquilo em que me fizeste pensar.


(Escrito há uns dias atrás :s)

Tu

Pensei que confiasses a mim tudo o que te preenche. Pensei rever em ti o que quero de melhor para mim. Foi rápido como percebi que o mundo dá muitas voltas e um dia somos tão felizes e no seguinte somos um mero objecto a mercê das fortes correntes de um rio enfurecido chamado vida. No meu coração deixaste uma profunda mágoa que me arrasta lentamente por um poço sem fim. Quero esquecer tudo o que passou, passar um pano nisto e fingir que nada aconteceu. Quero esquecer que jamais serei capaz de amar alguém como um dia a ti. Mas é difícil, mesmo se fosse o ser mais corajoso do mundo, pois o teu mundo é o meu, a tua vida é a minha, os meus amigos os teus.
Olho-me ao espelho e o que reflecte é só um vazio que teima em não se deixar preencher. Tento combater a raiva que se apodera de mim, mas não sou capaz. És forte demais. Tens um poder de persuasão ao qual não consigo resistir. Nem esse teu calculismo, essa frieza que manejas gentilmente e com a qual me magoas constantemente me passa despercebida.

(escrito há uns tempos)

Estar só

Estou farta de te ter no meu caminho, a impedir a minha felicidade, a esconder de mim o amor que busco. Será que não vês nos meus olhos, em tudo o que digo e nas acções mais simples que não estou bem? Podes pensar que sim e até tentar fazer um esforço para compreender o que vai em mim. Mas é profundo o que sinto e não o quero partilhar. Não agora que me sinto tão só.

(escrito há uns tempos)