Sentei-me à secretária e rabisquei umas palavras num papel. Depois perturbou-me um horrível pensamento. Não me pareceu bem o que escrevi, saltei para a cama e chorei. Limpei as lágrimas e calei a alma por instantes. Olhei o sol pela janela, cerrei os olhos ofuscada pela sua luz. Devia tomar um banho, refrescar os pensamentos infelizes. Não tenho vontade de me levantar da cama. Como vou eu tomar banho? O único banho que tomaria agora era definitivo e susteria a respiração até que tu me viesses salvar. Mas seria difícil suster assim tanto tempo a infelicidade de não te ter.
Se calhar estas palavras que escrevo são demasiado imaginárias, demasiado cuidadosas para serem realidade, mas no fundo, no meu imaginário o que se passa é algo perturbador, algo que não consigo explicar mesmo que tente.
Depois ver-te assim, ali, tão perto, no entanto tão longe, dá-me a volta às entranhas e é difícil enfrentar o próximo dia assim, admito-o. Vou tentando, sem prometer sucesso, mas definitivamente, conscienciosamente contigo na minha mente. Mais que não seja para chorar, lágrimas tristes, que me inundam a alma e me levam contigo.