(I)
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam como tu queres.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam como tu queres.
(II)
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas.
(III)
Se sou mais que uma pedra ou uma planta?
Não sei.Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.
(IV)
Vai alta no céu a lua da Primavera.
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz
(V)
Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja esse o sinal para me esquecerem de todo.
A natureza nunca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de «interpretar» a erva verde sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.
F.Pessoa, como Alberto Caeiro