segunda-feira, 20 de junho de 2005

dor

Doi-me a barriga. Doi-me a cabeça. Doi-me os neurónios. Doi-me o que me falta e o que resta. Doi-me a sensação de tontura que o calor me traz. Doi-me o ardor nos olhos. Dois-me tu. Sinto vazio. Talvez amanhã esteja melhor.

Vou estar concerteza...

terça-feira, 14 de junho de 2005

Depois do Adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



Intérprete: Paulo de Carvalho
Música: José Calvário
Letra: José Niza
(II Tiago ;))

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Untitled

Se o calor da paixão fosse como este que me assola em dias de Verão, eu seria mais feliz que o mais felizardo do mundo. Mas no entanto, a tristeza varre as minhas veias, o ardor dos meus olhos, a profundeza do meu ser, como algo implacável. combinam-se horas, lugares, refúgios, tudo em vão, a vida é supérflua. Se pudesse ser vida, seria um pássaro, livre, esvoaçante como o vento que traz o Outono. Sou solidão e toda uma tristeza infinita da minha condição. Espero o amor, como em tempos de seca uma chuva. Enxoto a tristeza, como uma abelha que me rodeia chata. Despacho a vida, como se o amanhã fosse uma ilusão. Vai percorrendo o meu corpo esta depressão, este lamento, que tenho como vida. Queria mais forças para saber o que vem a seguir, o que me espera. Restam-me senão as minhas, que no fundo são genuínas, que ninguém pode ter, que algures perdidas pensam que algures num tempo de alguém, eu existo, sou real, tenho forma. Para mim, como ela disse, as forças continuam. E ninguém, nem qualquer AMOR, pode levar de mim (de ti também, pensa só) o coração que só a mim pertence. Se não hoje, amanhã saberei, (e tu concluirás) que aquilo pelo que obcequei não vale a pena tentar. Supera. Luta por ti, não por mais alguém!

in Livro do Desassosego

Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente

F.Pessoa, como Bernardo Soares

Inconjunto

(I)
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam como tu queres.

(II)
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas.

(III)
Se sou mais que uma pedra ou uma planta?
Não sei.Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

(IV)
Vai alta no céu a lua da Primavera.
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz

(V)
Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja esse o sinal para me esquecerem de todo.
A natureza nunca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de «interpretar» a erva verde sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.
F.Pessoa, como Alberto Caeiro

domingo, 5 de junho de 2005

Perfect Godess

Da próxima vez que me disserem "Desculpa se não sou perfeita como tu", eu respondo "Yah, Deus esmerou-se comigo não foi?!"

sexta-feira, 3 de junho de 2005

miss perfection

a primavera torna as pessoas parvas. o verão torna as pessoas bem dispostas. este verão vou tentar ser mais tolerante. tentar ver as pessoas não só pelos seus erros. tentar não olhar só para o meu umbigo. este verão vou tentar compreender as pessoas. vou tentar pensar bem delas, já que a primavera acabou. tentar descobrir nos ditos "normais" que não há só anormalidade neles.
mas porquê? mentir é tão feio!

sábado, 28 de maio de 2005

contigo, sem ti

Sentei-me à secretária e rabisquei umas palavras num papel. Depois perturbou-me um horrível pensamento. Não me pareceu bem o que escrevi, saltei para a cama e chorei. Limpei as lágrimas e calei a alma por instantes. Olhei o sol pela janela, cerrei os olhos ofuscada pela sua luz. Devia tomar um banho, refrescar os pensamentos infelizes. Não tenho vontade de me levantar da cama. Como vou eu tomar banho? O único banho que tomaria agora era definitivo e susteria a respiração até que tu me viesses salvar. Mas seria difícil suster assim tanto tempo a infelicidade de não te ter.

Se calhar estas palavras que escrevo são demasiado imaginárias, demasiado cuidadosas para serem realidade, mas no fundo, no meu imaginário o que se passa é algo perturbador, algo que não consigo explicar mesmo que tente.

Depois ver-te assim, ali, tão perto, no entanto tão longe, dá-me a volta às entranhas e é difícil enfrentar o próximo dia assim, admito-o. Vou tentando, sem prometer sucesso, mas definitivamente, conscienciosamente contigo na minha mente. Mais que não seja para chorar, lágrimas tristes, que me inundam a alma e me levam contigo.

perguntas / respostas

Porque é que pensamos que é fácil, quando na realidade, no nosso interior, sabemos que é tão difícil? Porque é que dizem que Deus nos ajuda, quando ele é o único que parece querer o nosso mal e o nosso prejuízo? Porque é que quanto mais me digo que não, mais parece custar enfrentar a realidade, realmente real? Porque é que no Mundo há pessoas como tu, pessoas simpáticas, amigas, queridas, que mal se conhecem mas que se amam, que mal se vêem mas se desejam, que mal existem na nossa vida mas a preenchem? Porque é que sofro, quando a única pessoa aqui que vive é o meu corpo, cuja alma abandonou à muito?

Vou continuar a procurar respostas. No entanto, não me comprometo a acha-las num curto espaço de tempo. O meu tempo está limitado. Por ti; pela realidade que me impuseste e que a cada minuto se altera num só sentido: tu!

quarta-feira, 25 de maio de 2005

livre

wild horses i wanna be like you
throwing caution to the wind,
i'll run free too
wish i could recklessly love like i'm longing to
i wanna run with the wild horses