Já não é a primeira vez que oiço dizer ou leio que os Psicólogos são pessoas frustradas porque nunca conseguiram ter média para seguir uma carreira de Medicina, fugindo para uma área que está ainda à sombra desta (olha eu com medo de sangue e de agulhas havia de ser uma coisa jeitosa!!!). Isto é muitas vezes dito pelos próprios profissionais da área de Medicina. Sejam eles Clínicos Gerais, Ginecologistas ou até mais flagrantemente os Psiquiatras. Estes últimos profissionais, que frequentam um curso de Medicina tendo feito a sua especialização em Psiquiatria, têm por vezes dificuldade em digerir a forma como a Psicologia pode ser benéfica. Referem muitas vezes que, para quê ir a um Psiquiatra e a um Psicólogo se um único destes profissionais pode fazer tudo (já que o Psiquiatra pode receitar medicação e o Psicólogo não). No entanto, nem todos os Psiquiatras têm formação Psicoterapêutica e baseiam a sua intervenção na prescrição de medicamentos. O Psicólogo pode ir mais longe, entendendo a base do sofrimento do indivíduo, procurando entendê-lo, fazendo com que este se sinta melhor consigo, com o meio que o rodeia.
Não quero aqui que se levantem suspeitas de que estou simples e unicamente a defender os Psicólogos com toda a garra (apesar de o puder fazer, já que estou inserida neste grupo de profissionais). Não o estou a fazer! Até porque sou apologista das equipas multidisciplinares e da boa relação entre profissionais de saúde (estamos todos do mesmo lado, a dar o nosso melhor para uma melhoria do bem estar de tal indivíduo). E as minhas relações com Psiquiatras até ao momento têm sido excelentes!
Quero saber opiniões, sejam vocês Psicólogos, Psiquiatras ou um simples visitante!!
PS:
Deixo-vos um exemplo da diferença das intervenções:
Tomemos como exemplo um problema do tipo fóbico (evitamento de elevadores, transportes publicos, multidões, locais fechados, etc.). O psiquiatra desenvolveria essencialmente uma medicação à base de ansiolíticos. O Psicólogo de orientação cognitivo-comportamental optaria por treinar o paciente a auto-controlar a sua ansiedade e enfrentar as situações evitadas. O Psicólogo de orientação psicodinâmica trabalharia ao nível das experiências relacionais precoces do analisado.